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10 DE SETEMBRO – DIA MUNDIAL DE PREVENÇÃO AO SUICÍDIO: XI CONOJAF ABORDA O TEMA EM PALESTRA REALIZADA EM TERESINA

0d54db9f3de9816846ffd33353d3c04dO dia 10 de setembro é marcado pelo Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O tema fez parte da programação do XI CONOJAF em Teresina (PI) com uma palestra e roda de conversa sobre “Assédio Moral e Suicídio – Prevenção e Pósvenção”. A explanação foi feita pelo psicólogo Joaquim Rodrigues de Morais Netto, também voluntário do Centro de Valorização da Vida de Teresina, com a participação dos Oficiais de Justiça Isaac Oliveira e Ivo Oliveira Farias.

Antes da palestra, a diretora de comunicação e informática da Fenassojaf Paula Drumond Meniconi explicou que a ideia de se incluir o tema ‘suicídio’ na programação do XI Congresso Nacional partiu da necessidade de o quanto é difícil abordar esse tema “e até mencionar a palavra suicídio”.

Por fim, a diretora da Federação convidou os participantes a refletirem e falarem sobre o tema.

Na sequência, o presidente da Assojaf/PI Donato Barros Filho chamou a atenção para o cotidiano rodeado de pressões que afetam, indiretamente, todas as pessoas. Donato esclareceu que, quando da concepção da programação do XI CONOJAF, sentia falta de um tema humanístico. “Este é um Congresso que irá abordar a questão do ser humano e da nossa função de uma maneira sutil. Essa é a proposta, que façamos um Congresso diferente, que possamos discutir essa questão humanística e holística que atinge a todos”.

ASSÉDIO MORAL E SUICÍDIO

O palestrante Dr. Joaquim Netto iniciou explicando que todas as pessoas são de pertencimento, fazendo uma alusão ao tema do CONOJAF “Oficial de Justiça Avaliador Federal: Identidade, Pertencimento e Participação”, “pois nós pertencemos àquilo que nos propomos a fazer”. De acordo com ele, esse olhar mais participativo está encontrando espaço, e novas aberturas sobre o tema são muito importantes. “O Setembro Amarelo também tem essa função de incluir o tema em diversos debates”.

Sobre o Assédio Moral, o psicólogo afirmou que a prática é tão antiga quanto o trabalho e faz o servidor sentir-se ofendido, menosprezado, rebaixado, inferiorizado. “É a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras. Um ato isolado de humilhação não é assédio moral, é necessário uma repetição sistêmica da prática”.

Segundo o psicólogo, quem vira refém do trabalho em uma relação danosa, sofre como consequência diversas reações, dentre elas, o surgimento de ideias suicidas e de tentativas de suicídio.

Dados estatísticos apontam que mais de 800 mil pessoas no mundo tiram a própria vida por ano. É a segunda maior causa entre jovens de 15 a 29 anos. Cada suicídio tem impacto em, pelo menos, seis pessoas. No Brasil, a média é de 11 mil pessoas que cometeram o suicídio, sendo que entre 2011-2016, foram mais de 176 mil lesões autoprovocadas. A maior tentativa está entre mulheres, mas os homens são os que mais morrem por suicídio.

Dr. Joaquim apresentou os sinais de alerta para o suicídio, tais como, mudanças bruscas de comportamento, tristeza profunda, afastamento social, perda de prazer em atividades que anteriormente geravam prazer.

“A prevenção está em conhecer, falar a respeito, conhecer a si mesmo e pedir ajuda. Expressar é o primeiro passo para elaborar e ampliar a perspectiva e percepção”, disse.

Sobre a pósvenção, o palestrante explicou que o suporte ao luto e o acolhimento aos sobreviventes enlutados também fazem parte de todo o processo que envolve o suicídio. Existem grupos de apoio e tratamento especializado que ajudam aos sobreviventes enlutados e também àqueles que tiveram o suicídio frustrado, que são os sobreviventes tentantes.

Participante do tema, o vice-presidente da Fenassojaf Isaac Oliveira chamou a atenção para a carga de negatividade que envolve o Assédio Moral, uma vez que é a consequência da submissão. O Oficial de Justiça explicou que o estudo do Assédio Moral partiu do questionamento das causas relacionadas ao número de casos de suicídio na área de saúde na Suécia. “Se o suicídio é a principal causa do assédio moral, o que nós, enquanto servidores públicos, estamos fazendo com relação a isso?”, questionou.

Para Isaac, é importante que os tribunas emitam regulamentações internas que, além de estabelecer formas de como se vestir ou comportar, tratem do Assédio Moral no Poder Judiciário. “Os servidores precisariam assinar um termo, notificando sobre possíveis consequências para a prática do assédio nas relações de trabalho”.

Ainda de acordo com ele, muitas vezes, as pessoas não percebem que estão na cadeia do Assédio Moral, pois ele começa com questionamentos sobre a competência das atividades prestadas. O painelista igualou os traumas causados no assediado com os de vítimas de assaltos a mão armada. “O problema é que em um assalto a mão armada você pode nunca mais encontrar o assaltante. Já no caso do Assédio Moral, você encontra o assediador no outro dia”.

Por fim, o Oficial de Justiça aposentado do TRT da 2ª Região Ivo Oliveira Farias, sobrevivente enlutado pelo suicídio, contou que, em março de 2014, a filha mais velha dele foi vítima de suicídio. “A pessoa não se suicidou, ela é vítima de um suicídio”, enfatizou. Ivo contou que a forma como encontrou para prosseguir existindo, “porque vivendo não mais”, foi frequentar grupos de apoio. O aposentado explicou que o suicídio é chamado de tragédia silenciosa, uma vez que ninguém fala sobre o tema. “É um luto que coloca culpa e vergonha, porque sentimos que o ente querido o suicídio a ficar com aqueles que o amavam. E o enlutado se sente incompetente porque não pôde fazer nada, não conseguiu perceber. É um sentimento de incompetência e impotência, vergonha, culpa, responsabilidade. É um luto que é muito devastador”.

Ivo alertou que a pósvenção, assim como a prevenção, também é importante, pois é preciso cuidar daqueles que ficam. “Se, na prática, é 1 milhão que se mata, são pelo menos 6 milhões que ficam e sobreviveram porque a vida acaba para quem passa essa situação: seja do luto ou porque tentou e não consumou”.

De acordo com ele, é preciso aprender a continuar vivo, “isso é uma luta diária e o caminho é buscar um sentido para prosseguir existindo e sobreviver”.

“Eu fiz essa escolha. A militância sindical de mais de 30 anos me preparou para essa decisão, que é um caminho sem volta, de abrir mão do anonimato, já que ninguém entende a nossa dor a não ser um outro sobrevivente. E eu, logo nos primeiros meses, assumi essa posição e comecei a fazer algo que nunca foi feito antes: eu rompi o anonimato e logo outros começaram a imitar essa conduta, tanto tentantes como enlutados”.

No encerramento, o Oficial de Justiça enfatizou que a conscientização está fazendo com que as pessoas falem abertamente sobre o suicídio. “Hoje nós estamos verbalizando essa palavra. Essa é a minha militância agora, a militância pela salvação de vida. Nós temos que enfrentar o luto, seja ele qual for. É aceitar a tristeza. O que podemos perceber da vida é que ela é dual, ela não é como está nas redes sociais. A vida é dor e prazer, alegria e tristeza, é aniversário e velório. As duas coisas fazem parte da vida e as duas são ilusórias e filhas do tempo. São ilusões agradáveis e desagradáveis, mas são ilusões porque vem e passam”.

“A gente não sabe que o colega do nosso lado é um tentante. Às vezes até o próprio tentante não se dá conta do quão tentante ele é. Essa é uma situação que precisamos abrir os olhos e ampliar e, à medida em que nós derrubarmos o tabu, as pessoas começarão a se desnudar e vão poder dialogar nos ambientes propícios como os grupos de apoio”, finalizou.

Assista AQUI o depoimento completo do Oficial de Justiça Ivo Farias, no XI CONOJAF em Teresina.

O blog mencionado por Ivo durante o painel no Congresso é o No m’oblidis – Pósvenção de Suicídio. Acesse em: https://nomoblidis.com.br/

INOVAÇÃO EM RODA DE CONVERSA – O Assédio Moral e Suicídio voltou à pauta do XI CONOJAF na quinta-feira (06) em uma realização inovadora com a Roda de Conversa sobre o tema. Desta vez, os participantes tiveram as presenças do mediador Dr. Joaquim Netto e dos colaboradores Isaac Oliveira, Ivo Farias e José Fernandes, coordenador geral do FONAPRECAM, em uma possibilidade de os Oficiais de Justiça participarem ativamente das explanações, com um momento de reflexão e troca de experiências entre todos.

Da Fenassojaf, Caroline P. Colombo

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