DIA NACIONAL DO APOSENTADO 25/01/2019 Ato em BH reforça luta em defesa da Previdência e todos os direitos dos trabalhadores

Coordenador do SITRAEMG propõe ao governo destinação de metade do orçamento reservada ao pagamento da dívida pública para os serviços sociais da população

Corte de cabelo gratuito e medição de pressão arterial e glicose para transeuntes que passavam pelo local, música animadas e dança, informes gerais sobre lutas dos trabalhadores. Teve tudo isso ontem (quinta-feira, 24/01) no ato realizado na Praça Sete, em Belo Horizonte, em comemoração ao Dia Nacional do Aposentado, evento que é promovido todo ano, nesta data, pelo Sindicato dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Minas Gerais (Sinap-MG). Mas, contando com o apoio do SITRAEMG, teve também vários protestos manifestados por dirigentes de entidades presentes, como o próprio SITRAEMG – representado pelos coordenadores gerais Carlos Humberto Rodrigues e Célio Izidoro, além do filiado Vicente e o assessor político Efraim Moura -, Sintsprev-MG, Affemg, Frente Mineira em Defesa da Previdência Social e outras.

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Os principais protestos, como não poderia deixar de ser, pela particularidade da data, foram contra a Reforma da Previdência. “O governo quer trazer o modelo do Chile. Isso é um modelo falido”, criticou Júlia, diretora do Sintsprev-MG, referindo-se ao sistema previdenciário de capitalização, adotado no Chile no governo do ditador Augusto Pinochet, já falecido, e agora defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para implantar no Brasil. “Um país em que o povo ganha o mínimo, como é que vai capitalizar?”, questionou a dirigente sindical.

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“80% dos brasileiros são contra a Reforma da Previdência”, lembrou Adilson Rodrigues, presidente do Sinap-MG. Referindo-se a uma senhora aposentada que estava presente e reclamou que teve cortada sua aposentadoria, que recebia como benefício da lei de assistência social (LOAS), em decorrência do rigor implantado pelo atual governo para a concessão de benefícios previdenciários, Rodrigues denunciou o Executivo por alegar déficit na Previdência enquanto paga gratificações polpudas aos peritos do INSS para expurgar os beneficiários. “Essa história de combate a fraudes é balela. O governo quer é dificultar a aposentadoria”, denunciou a deputada Jô Morais (PCdoB/MG).

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Jô Morais ainda fez um alerta à população para que fique bastante atenta aos falsos discursos e utilizados pelo governo para justificar a “necessidade” da reforma. Primeiro, ao comparar a Previdência do Brasil com a dos países desenvolvidos, sem levar em conta a qualidade de vida infinitamente superior daqueles em relação a este. Quanto ao fato de o governo destacar apenas alguns pontos das mudanças que pretende fazer, ela assegurou que a reforma vai ser bem maior do que se alardeia. “Temos que ter a clareza do momento de hoje (do ato), que é o primeiro da nossa luta contra a reforma da Previdência”, observou, deixando uma convocação a todos os presentes: “vamos todos juntos!”.

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O coordenador geral do SITRAEMG Célio Izidoro (confira o vídeo abaixo) denunciou a última chantagem utilizada pela equipe de Bolsonaro para defender a reforma. “O ministro da economia, Paulo Guedes, está nos chantageando. Recentemente, ele tem ido para a mídia dizendo que, se a reforma da Previdência não passar, vai acontecer no Brasil o que aconteceu na Grécia, que aposentado não vai receber, não vai haver aposentadoria. Isso é uma chantagem que nós não podemos admitir”, salientou. “Sabem por quê?”, indagou, respondendo ele mesmo que o governo quer é que esses 25% do orçamento público destinados à seguridade social, que visa proporcionar uma vida digna para os cidadãos, seja desviado para o pagamento da dívida pública. “Basta o governo destinar 50% do orçamento que é reservado para pagar a dívida pública – para (em prol dos) agiotas internacionais -, destinar esse dinheiro para a população”, propôs. “É por isso que o SITRAEMG, a Frente Mineira em Defesa do Serviço Público, em Defesa da Previdência, em Defesa da Justiça do Trabalho, não vai aceitar retirada de direitos”, concluiu.